Terça-feira, Julho 14, 2009

E continua o escândalo na Educação

O facilitismo na Educação em ano eleitoral vai de vento em popa. Desta vez, parece ter atingido especialmente a disciplina de Português:
Resultados dos exames nacionais do 9º ano foram afixados hoje. Negativas quase duplicaram a Língua Portuguesa.
Um escândalo! O que este Governo faz para ganhar eleições...

Uma história banal

É assim.
A TSF decide remodelar a grelha de programas. Parece que é uma coisa que as rádios fazem, normalmente coincidindo com a rentrée, como parece ser o caso.
O Público dá a notícia. Mas constrói uma história - a editora de Política foi (vai ser?) afastada porque discutiu com José Sócrates. Pelo que se lê na notícia, o Público não falou com a jornalista, com Sócrates, ou até com o director que fez a tal mudança na grelha. Como se sabe, o jornalismo baseado em factos relatados pelos intervenientes tem os seus perigos - principalmente, porque os tais intervenientes têm a mania de desmentir as histórias dos jornalistas.
Foi o que fez o director do TSF - recorrendo ao Direito de Resposta. Vamos aguardar pela publicação.
Entretanto, a direita acéfala rejubila, mas nem sabe muito bem porquê...

♪ Catherine Deneuve

Toi Jamais (2002)

Segunda-feira, Julho 13, 2009

“A Dr.ª Manuela Ferreira Leite tem outro método, outro estilo de fazer política”¹

Os sobas da Madeira recusaram-se a convidar a Dr.ª Manuela para a festa do Chão da Lagoa do ano passado. Desamparada, a líder do PSD respondeu que os militantes “não deviam fazer política folclórica”, tendo acrescentado, num daqueles rasgos visionários que são a sua imagem de marca, que era necessário “ter cuidado com as festas e os recursos que gastos nelas”.

Acontece que os sobas regionais fizeram chegar à São Caetano um convite para a festa deste ano. A Dr.ª Manuela, toda catita, comunicou de imediato que estará presente. É a política do “rasga/não rasga” sob outras vestes.

_________
¹ António Borges sobre a relação da Dr.ª Manuela com as festas do PSD, como a do Pontal ou a do Chão da Lagoa.

Da série "Frases que impõem respeito" [336]




    Lembrei-me dos tempos do cinema ali ao pé do Mercado com os filmes da Marisol e do Joselito.

Leituras

• António Correia de Campos, Percepções e realidades:
    Bem mais difícil, porventura insolúvel até, será unir a percepção do poder ao alcance da mão, com as suas inerentes responsabilidades. O Bloco de Esquerda (BE) arrisca-se a entrar na galeria dos ‘case-studies'. Na percepção crescente dos seus eleitores, o BE deve governar. Na realidade, o BE foge de responsabilidades de governo ou administração municipal a sete pés, tal como condena acordos e amizades individuais com o actual Governo, mesmo que sejam meros almoços de despedida. Por quanto tempo manterá este duplo estatuto?
• João Rodrigues, Entre o Estado Penal e o Estado Social:
    Simplificando um pouco, mas não demasiado, a escolha pode ser colocada nos termos descritos pelo sociólogo Loïc Wacquant: Estado Penal ou Estado Social. Os desiguais EUA com uma população prisional de 750 por cada cem mil habitantes, ou a igualitária Dinamarca com uma população prisional de 67 por cada cem mil habitantes?

O Lomba já não pula

Se leram este post do João Galamba sobre o último artigo de Pedro Lomba no i, então leiam este post do próprio Pedro Lomba para ver como se faz render o peixe.

Parece que, depois do apoio a Cavaco nas eleições presidenciais, a imaginação de Pedro Lomba se esgotou. Inadmissível. Como em tempos escrevi aqui, se há cronista que não pode desculpar-se com o drama da folha em branco é Pedro Lomba. Poderá, quando se confrontar com uma branca, contar-nos as peripécias da comissão política da candidatura presidencial de Cavaco. Que leitor do i não gostaria de saber como o então candidato foi convencido a cantar José Afonso em Grândola? Ou de saber quem congeminou o axioma cavaquista divulgado nas eleições: “duas pessoas com a mesma informação e com a mesma boa-fé chegam necessariamente às mesmas conclusões”?

Isto, sim, daria azo a grandes crónicas.

Orlandinho, líder histórico



Há um jornal de referência que acompanha o país e o mundo entrincheirado na redacção. Por isso, apanha os assuntos no ar e trata-os sem a mínima consistência. Quando o desleixo aparece associado à má-fé, dá resultados surpreendentes: o filho do pai aparece alçado à condição de “líder histórico”. A secção de política do Público bem podia actualizar os arquivos.

Domingo, Julho 12, 2009

Vamos falar do Estado Social?

Vasco Pulido Valente saiu hoje em defesa da Dr.ª Manuela. Para dizer que a líder do PSD não só não quer rasgar nada, como é uma adepta fervorosa do Estado-Providência. Talvez amanhã valha a pena recordar o que a senhora — e o seu inner circle — tem dito acerca dos três pilares do Estado Social: a educação, a saúde e a segurança social.

Leituras

• Emídio Rangel, Um raciocínio lógico:
    O Bloco recusa-se até a fazer qualquer coligação com outros partidos para proporcionar as melhorias que tanto apregoa. Ou seja passar das palavras aos actos. É muito cómodo estar na oposição sem pagar o ónus das reformas. O BE assim não cometeu nenhum erro até agora... Vai ajudando a direita a tomar o poder... Restam-nos Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Sem mais, apenas por instinto, você votava em Sócrates ou em Manuela Ferreira Leite para conduzir a vida do País na parte final da crise e no pós-crise? Sócrates e Manuela Ferreira Leite são, de facto, as únicas personalidades que podem vir a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro depois das eleições de Setembro próximo. Ninguém mais poderá estar nessa disputa. Os outros pertencem à segunda divisão. Neste contexto, você escolhe Manuela ou Sócrates? É este o dilema que os portugueses vão viver até Setembro.
• Fernanda Palma, A Vida é Bela:
    O Direito nunca oferece por inteiro essa dimensão libertadora mas pode fortalecê-la de modo decisivo. Ao criar espaços novos de liberdade e subjectividade contra os poderes sociais e institucionais, a Ordem Jurídica afirma culturalmente a dignidade, a igualdade e a intangibilidade de cada pessoa.

    No Direito Penal, o culto da vida deve manifestar-se através da protecção das vítimas de crimes e da reintegração na sociedade dos agentes recuperáveis. Deve prevalecer sempre a ideia de um Direito Penal reparador de danos pessoais e sociais e não, ele próprio, criador de danos acrescidos.

    Um Direito Penal retributivo, ou até taliónico, é obsoleto. Foi esse Direito que se revelou na muito aplaudida, mas pouco racional, condenação a cento e cinquenta anos de prisão de um representante da lógica de risco, sempre tão incentivada pelo pensamento neoliberal – o financeiro Bernard Madoff.

♪ Françoise Hardy

Sábado, Julho 11, 2009

Viagens na Minha Terra

Orgulhosamente sós (ou o ferreirismo em menos de 140 caracteres)



    Será preciso o TGV, que, no percurso previsto, transformará Lisboa em arredores de Madrid (…)?
      Eduardo Cintra Torres, na edição de hoje do Público

“Que Portugal queremos?” [2]




Ainda sobre este post no blogue da Dr.ª Manuela:

2. As questões suscitadas

O défice e o endividamento externo são, de facto, dos principais desequilíbrios económicos do país. Mas, ao contrário do que se apregoa, não são responsabilidade do Estado, são do país como um todo: 50 por cento da dívida externa portuguesa diz respeito a financiamento que os nossos bancos obtiveram para conceder empréstimos às famílias para adquirir casa ou às empresas para investir. E são um desafio estrutural que tem de ser corrigido de forma estrutural.

É por isso que uma aposta na internacionalização (aumento de exportações) e redução da dependência energética (quase 50 por cento do défice de bens e serviços diz respeito à dependência energética) são determinantes. Pensar que se corrige o endividamento externo de outra forma é uma falácia — provoca-se uma crise e uma recessão sem que se atinjam as causas estruturais do défice.

Por outro lado, referir o peso do Estado em si como um problema é claramente demagógico. Não há nenhuma teoria que aponte uma dimensão óptima do Estado. Há países com um Estado muito maior que o português e que registam níveis de crescimento elevados e há países com um Estado muito mais fraco e que revelam níveis de crescimento muito fracos.

Na actual crise, aliás, muitos dos países que eram apontados como exemplo por terem Estados diminutos são dos que estão a sofrer mais na crise actual, não tendo instrumentos para proteger os cidadãos e as empresas.

Dois maluquinhos à conversa

Gosto especialmente desta pergunta:
E Manuel Alegre, nesse tableau de chasse da esquerda?

E desta resposta:
Não sei se o Presidente da República não é vítima do calendário eleitoral. Mas é com certeza vítima dos nossos maus hábitos políticos... sendo ele mesmo, desde há muitos anos, um membro activo e importante desse nosso sistema.

E foi então que se ouviu o tinóni.

♪ Compay Segundo



Chan Chan

Sexta-feira, Julho 10, 2009

O pessimismo como ideologia, o cruzar os braços como programa político


24 Horas (de hoje), p. 2



«Portugal estar na cauda de Europa é uma “inevitabilidade geográfica”.» Esta expressão de Isabel Meirelllles, candidata do PSD à Câmara de Oeiras, revela que a senhora navega nas mesmas águas do pessimismo da Dr.ª Manuela. Mas, paradoxalmente, Isabel Meirelllles vem dar razão aos que defendem a necessidade de apostar nas infra-estruturas de transporte, contrariamente à posição dominante no PSD.

“Que Portugal queremos?” [1]

A propósito deste post no blogue da Dr.ª Manuela, veja-se:

1. A falácia da não convergência

Ao contrário do que é senso comum, se compararmos o PIB per capita em Portugal em paridades de poder de compra com a média da União Europeia a 15, verificamos que Portugal convergiu… Só em 2004, andava por aí o Governo PSD-CDS/PP, é que essa trajectória foi interrompida.

A comparação com a média EU-15 é a comparação que faz sentido, uma vez que foi a convergência com os então membros da UE que foi eleita como objectivo aquando da adesão à CEE. Ter agora como termo de comparação outros referenciais (Zona Euro ou EU-27), é como se a meio de uma corrida a meta mudasse de lugar.

É que esses outros referenciais são afectados pela inclusão de novos Estados-membros que, tal como aconteceu com Portugal quando aderiu à então CEE, estão a registar um período de crescimento acelerado. Se, por absurdo, a China aderisse à UE e todos os países mantivessem as suas taxas de crescimento, eles começariam a registar divergências face à média…

Veja-se como se está a processar a convergência:
    • PIB pc PT UE15=100

    • 1997 — 65,9
    • 1998 — 66,4
    • 1999 — 67,9
    • 2000 — 67,6
    • 2001 — 67,3
    • 2002 — 67,4
    • 2003 — 67,5
    • 2004 — 65,9
    • 2005 — 68,2
    • 2006 — 68,0
    • 2007 — 68,1
    • 2008 — 67,9




Importa sublinhar que Portugal foi, de facto, dos países da EU mais afectados por choques adversos associados ao alargamento da UE e à entrada na cena económica mundial de novos players, como a China e a Índia, que concorreram directamente com os tradicionais sectores de especialização da economia portuguesa, o que contribuiu para níveis de crescimento baixo. Portugal tinha conseguido atrair investimento directo estrangeiro muito importante e passou a ter dificuldade em competir com estes países, que beneficiaram claramente de uma localização geográfica mais central (países do centro da Europa) ou vantagens relevantes de dimensão e de custos.

Não estamos perante uma questão de curto prazo: quase 20 anos após a adesão, Portugal não estava preparado em 2004 para enfrentar estes desafios. Só uma agenda de modernização e transformação da estrutura produtiva permitirá recuperar níveis de crescimento mais elevados. Era essa situação que se estava a verificar desde 2005 com a aposta na internacionalização e na modernização da economia.

Deixem a Dr.ª Manuela falar


Imagem




A Dr.ª Manuela caiu em si: “rasgar, ninguém vai rasgar nada”. Deixemo-la explicar-se: “Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais. Não há nenhuma medida a que o PSD se tenha oposto ou que tenha criticado sequer”. É evidente que a Dr.ª Manuela está a mentir: “Vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social”, disse num discurso aos deputados do PSD no dia 25 de Junho, no jantar de final da legislatura.

Mas o aspecto mais interessante das palavras da Dr.ª Manuela nem é a súbita cambalhota que se traduz no “rasga/ não rasga”. É que das suas palavras decorre que a política do Governo está certa, mas, ainda assim, mais uma vez a Dr.ª Manuela volta a mentir: o PSD nunca apoiou as políticas ou medidas do Governo, nunca deu contributos ou sequer incentivou a sua adopção.

Há um outro aspecto nas declarações da Dr.ª Manuela que vale a pena realçar. É quando diz: “Se as medidas que o engenheiro Sócrates anunciou tivessem execução na prática o país não estaria como está”. Será que a Dr.ª Manuela percebeu finalmente que o mal crónico do país não é esforçar-se para que os processos avancem, mas sim uma triste e forte inércia que impede que algumas reformas saiam do papel?

Mais leituras

• Fernanda Câncio, O Presidente fracturante:
    (…) as declarações do Presidente só podem ser entendidas, não como uma advertência prática resultante de uma preocupação genuína, mas como um manifesto de campanha. Numa altura em que a proximidade de umas eleições que se prefiguram muito disputadas, nas quais um dos principais contendores é o partido que chefiou liderado por uma sua alegada discípula, deveria levar o Presidente a um maior cuidado nas suas intervenções públicas se queria manter pelo menos os mínimos na aparência de equidistância, Cavaco Silva decidiu rasgar o seu pressuposto de árbitro institucional e lançar-se no calor da refrega. Decidiu, afinal, fracturar.
• Leonel Moura, O outro poder:
    Desde logo, o jornalismo abandonou definitivamente a sua vocação de informação para se dedicar directamente à formação da opinião pública. A informação sobre factos concretos é agora residual, parcelar ou abertamente manipulada, pois o objectivo central das notícias é construir uma mensagem política objectiva como parte de uma narrativa ideológica. Essa ideia, algo romântica, da procura da verdade há muito que abandonou as redacções. Sobretudo nas televisões que vivem das imagens e do espectáculo construído com elas (…).

    Por sua vez, praticamente todas as estruturas sociais organizadas, desde sindicatos, corporações, associações das mais diversas, agremiações de interesses, colectivos, clubes e grupos informais, rapidamente atravessam a fronteira da sua actividade, profissão ou causa, para se dedicarem à política activa e mesmo partidária. A tão proclamada "sociedade civil" é uma falácia, pois na verdade as pessoas juntam-se para fazer política e para tentar exercer o seu maior ou menor poder sobre o conjunto da sociedade.

    Do mesmo modo, através da omnipresença dos media foram surgindo individualidades que se constituem em verdadeiras emanações de poder. Alguns comentadores, de tão ouvidos e repetidos, tornaram-se numa espécie de pequenos partidos de um homem só com enorme influência junto da opinião pública. Estabelecem agendas, promovem e despromovem decisões, influenciam votações, enfim, são políticos profissionais e muito activos mesmo quando declinam essa condição e, por método, atacam a política e os políticos.

“Lembram-se do cavalo do inglês?”

• Daniel Amaral, Os paradoxos:
    Os economistas são uns sortudos. Como a economia não é uma ciência exacta e as expectativas dependem de pressupostos, podem arriscar números à vontade que ninguém os contesta: se falharem, o falhanço não é deles mas de uma qualquer variável que borregou. Beneficiam ainda dos chamados paradoxos da economia: perante um problema, que apela a determinado instrumento, a sua aplicação pode ter um efeito ou o seu contrário.

    Peguemos nos custos do trabalho, que em 2008 já pesavam 50% do PIB e têm estado a subir, afectando com isso a competitividade. Se os baixarmos, a competitividade melhora e as empresas vendem mais, levando à criação de mais emprego. Mas, se todos fizerem o mesmo ao mesmo tempo, as melhorias anulam-se entre si, os problemas mantêm-se e, no limite, até pode suceder que o desemprego aumente. É o paradoxo dos salários.

    O caso da poupança é semelhante. Para um PIB igual a 100, o investimento em 2008 foi de 22,2, que cobrimos com 10,3 de poupança interna e 11,9 de poupança exterior - que teremos de reembolsar com juros. Posto assim o problema, é óbvio que a poupança é uma virtude. Mas, se pouparmos em excesso, anulamos o efeito do consumo e corremos o risco de afundar a economia. Evitar o paradoxo é poupar o quanto baste.

    Há ainda a dívida externa, que já excede o valor do PIB. Hoje, todos devem a toda a gente e ninguém sabe ao certo quando e como é que tudo isto vai acabar. E, a esta luz, qualquer opção que signifique reduzir a dívida é óptima. Passamos a respirar melhor. Mas, se todos desatarmos a vender activos, e formos depois a correr despejar a liquidez nos bancos, o sistema financeiro pode entrar em colapso. Chamemos-lhe paradoxo do desinvestimento.

    Estes são paradoxos clássicos. Mas eis que surgiu um novo, a que poderemos chamar paradoxo de Manuela. Foi descoberto pela líder do PSD, vai passar à História e repousa nesta máxima: "é preciso parar tudo porque não há dinheiro para nada". Ela própria nos explicou o conceito: se ganhar as eleições, e for ela a mandar - rasga tudo! Eu acho que devíamos votar na senhora. Se o nosso problema é a dívida, dentro de uns anitos não haverá dívida para ninguém. Estamos todos mortos.

    Lembram-se do cavalo do inglês?

♪ Ry Cooder



Canción Mixteca

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Leituras

• Silva Lopes, Inquérito BPN não merece credibilidade:
    “Em meu entender, o Inquérito da Assembleia da República sobre o caso BPN foi movido unicamente por objectivos de combate partidário e que por isso, embora possa ter fornecido algumas informações úteis, não merece credibilidade.”

Grandes mistérios do Universo [59]

Se para Cavaco e para a Dr.ª Manuela o Governo só pode gerir os “assuntos correntes”, por que não aceitaram eles que as eleições legislativas se disputassem em simultâneo com as eleições europeias, hipótese não rejeitada pelo primeiro-ministro quando questionado há uns meses sobre o assunto?

CTT, Banco Insular (Cabo Verde), off-shores… e reacção da Dr.ª Manuela


DN [clique para aumentar a imagem]


A história da venda de um imóvel dos CTT ao preço da uva mijona está contada aqui. Falta dizer que:
    • A venda do imóvel ocorreu ao tempo do Governo Barroso/Ferreira Leite/Portas;
    • O conselho de administração dos CTT foi nomeado pelo Governo PSD/CDS e era dirigido por Carlos Horta e Costa, secretário-geral do PSD no consulado do Prof. Marcelo e destacado membro da Comissão Política do PSD no tempo de Marques Mendes.
Questionada sobre os desenvolvimentos e o envolvimento de pessoas ligadas ao PSD, designadamente do presidente da Câmara de Coimbra (e ex-secretário de Estado de Dias Loureiro), no caso da venda do edifício dos CTT, Manuela Ferreira Leite respondeu: “Tudo quanto eu tenho conhecimento é que não há o mínimo dos desenvolvimentos”. E rematou com um desenvolvimento criador da política de verdade: “A justiça dirá onde é que está a verdade”.

♪ Milla Jovovich & The Million Dollar Hotel Band



Satellite Of Love

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Dirigente do BE: “Precisamos de um ministro igual a este”

Interessante entrevista de António Chora, coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa e dirigente do BE, a propósito da sua participação no jantar de despedida de Manuel Pinho.

Quem é que mexe os cordelinhos?



Vários elementos de claques desportivas estão infiltrados na manifestação de estivadores do Porto de Lisboa que hoje à tarde está a decorrer frente ao Parlamento.

Leituras

Presidente comenta rumores

É preciso dizer ao Presidente da República que não tem de estar preocupado com a badalada renúncia de Maria João Pires à nacionalidade portuguesa, uma vez que a pianista apenas pretende obter a dupla nacionalidade, propósito que vinha sendo admitido “há três anos pela pianista e tem por justificação o facto de «ter a sua vida organizada nesse país» e pretender ir viver para o Brasil.

Aviar medidas como quem avia chouriços




O BE propõe que sejam investidos 500 milhões de euros na reabilitação de 100 mil casas. Não é a “medida” em si que está em causa, até porque ela não destoa das medidas adoptadas pelo Governo para utilizar o investimento público como alavanca para o relançamento da economia.

O que surpreende é a falta de consistência da “medida”, tendo em conta que, em simultâneo, se propõem coisas distintas.

Veja-se o que diz o PROGRAMA PARA UM GOVERNO QUE RESPONDA À URGÊNCIA DA CRISE SOCIAL — A POLÍTICA SOCIALISTA PARA PORTUGAL (p. 51):
    “Considerando os preços médios de reabilitação, este programa deve investir 500 milhões de euros durante cinco anos, para conseguir reabilitar 100 mil casas e apoiar com juros bonificados a reconstrução de outras 100 mil. Esta profunda reforma urbana requer um investimento público imediato mas também constrói um efeito de longo prazo na alteração do acesso à habitação.”
O BE quer cativar 500 milhões de euros a aplicar durante cinco anos na reabilitação de 100 mil casas e no apoio à reconstrução de outras 100 mil (com juros bonificados).

Entretanto, na interpelação ao Governo na Assembleia da República, o BE, pela voz de Luís Fazenda, deixa cair a “reconstrução de outras 100 mil” casas, mantém o valor do investimento proposto e reduz de cinco anos para um ano o período durante o qual deve ser feito o investimento:
    “O custo deste investimento na reabilitação de 100 mil casas chegará aos 500 milhões num ano. Mas responde à prioridade: cria procura, cria emprego, traz de novo as pessoas para as cidades, dá oportunidades aos jovens, reduz as deslocações pendulares, melhora os rendimentos das famílias. É esse o efeito multiplicador de uma política que cresce contra a crise.”
As medidas do BE resultam de exaltados brainstormings: pode-se reduzir ou ampliar os prazos de execução ou incluir ou retirar componentes que o valor do investimento não sofre alterações. É tudo uma questão de imaginação.

Notícias para os leitores de títulos




Parece estranho este título, quando no corpo da notícia se lê que todo os membros do executivo camarário (à excepção de um) foram constituídos arguidos. E mais estranho parece quando não se destaca que isso aconteceu com o presidente da Câmara de Coimbra, que continua a ser o mesmo que era quando os factos ocorreram. É por ele ser do PSD?

♪ U2 & Johnny Cash



The Wanderer

Terça-feira, Julho 07, 2009

Mena

Pedro, há alguns (poucos) anos atrás, Filomena Mónica escrevia no caderno principal do Público. Numa das suas crónicas, contava, estupefacta, que, numa visita ao Minho, não encontrara a região cheia de carros de bois, como esperava, mas de automóveis.

Mas mesmo esta gente que vive fechada entre quatro paredes tem um instinto de sobrevivência muito apurado, como se observa na entrevista a que o Pedro se refere:
    Pergunta —Vai votar em António Costa?
    Resposta — Sim. Prefiro o António Costa ao Santana Lopes, embora o Santana Lopes me divirta muito mais. Mas ele só me diverte quando está fora do poder, no poder é um irresponsável.

Leituras

• Constança Cunha e Sá, Rasga mas não risca:
    “(…) o PSD prepara, incólume, a sua hipotética ascensão ao poder. Revelando, desde já, uma confiança ilimitada na escolha dos eleitores, o partido começou por recuperar do anonimato, onde ele repousava em descanso, o dr. Aguiar Branco e a sua verve inconfundível. Em poucas semanas, este apagado ministro de Santana Lopes passou a ser chamado diariamente para dar a voz pela direcção do PSD, umas vezes para desmentir Paulo Rangel, que tinha defendido uma hipotética coligação com o CDS, outras para debitar umas teses sobre a junção das polícias que, presume-se, venham a ter lugar de destaque nas propostas que o partido irá apresentar ao país. E daí talvez não! Porque o programa do PSD está em risco de se transformar num dos maiores mistérios da próxima campanha eleitoral.

    Ainda há uns dias, a drª. Ferreira Leite ameaçou 'rasgar e romper' com todas as soluções adoptadas por este Governo. Enquanto o país, dando largas à imaginação, tentava assimilar as consequências fulminantes desta inesperada ruptura, eis que lhe aparece, pela frente, o dr. Borges a explicar, cheio de moderação, que uma vez no poder o PSD não iria 'riscar' tudo o que foi feito até aqui. É o que se chama a ruptura dentro da continuidade: rompe, rasga mas não risca. Contraditório? No mínimo. Só que agora ninguém regista.”
• Francisco Moita Flores, O carro e os cornos:
    “Um dia, quando a sensatez chegar, quando a nossa frota automóvel estiver pejada de carros eléctricos sem ruído e sem emitir gases tóxicos, saber-se-á que foi um senhor chamado Manuel Pinho, o grande propulsor da nova era. Despedido com justa causa porque enviou um par de cornos a uma criatura qualquer.”
• Mário Soares, Uma semana agitada:
    “Os outros partidos, poderão ter uma presença maior ou menor na Assembleia da República, mas não têm qualquer probabilidade de participar na escolha do Governo. Ninguém tem mais pena do que eu, desta situação. Nos últimos anos, com efeito, empenhei-me em estabelecer pontes e convergências à Esquerda, que se revelaram impossíveis. A culpa não será exclusiva de ninguém. É certo. Mas cabe, maioritariamente, ao Bloco e ao PCP, que com crescente agressividade - e em competição - fustigaram quase exclusivamente o PS e, em especial, Sócrates. Para quê? Respondo: oxalá não seja para dar a vitória ao PSD ou para tornar o País dificilmente governável. Se isso vier a acontecer - espero que não - poucos meses depois, serão os primeiros a arrepender-se. Porque, ao contrário do que dizem, PS e PSD são muito diferentes no exercício do poder.”
• Pedro Adão e Silva, Aumentar impostos:
    “(…) Portugal está longe de ser um dos países da UE com a carga fiscal mais elevada. De acordo com um relatório da Comissão, há 14 Estados membros com um peso dos impostos no PIB superior ao nosso. Enquanto a média europeia é de 39,8%, Portugal apresenta um valor de 36,8% - bem longe dos 48,7% da Dinamarca ou dos 48,3% da Suécia e inferior aos restantes países da Europa do Sul com quem normalmente comparamos (Espanha e Itália). (…) Quais são então as razões para que em Portugal esteja tão disseminada a ideia de que pagamos muitos impostos? Muito provavelmente o que faz toda a diferença é a percepção de que, nuns casos, a capacidade redistributiva do sistema fiscal é grande, noutros ela revela-se menos eficaz e assenta apenas no esforço contributivo de alguns. (…) Ora, conjuntamente com as políticas de mínimos sociais, a utilização do sistema fiscal é uma das formas mais eficazes de compensar desigualdades de rendimentos excessivas, formadas no mercado.”

Prós e Contras

A síntese.

Em complemento: O convertido e o ventríloquo.

A verdade a que temos direito



Veja-se este gráfico (em milhões de euros), que mostra os apoios e incentivos pagos a PME (pequenas e médias empresas) em 2004 e em 2008, e depois avalie-se o que diz o inimitável Paulo Rangel: (Mais logo, farei uma alusão a algumas das medidas em execução para as PME, comparando-as com as adoptadas pelos Governos PSD/CDS.)

♪ Madredeus



Maio Maduro Maio

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Da importância das infra-estruturas de transporte e logística

Um inquérito da AIP às empresas sobre factores que afectaram negativamente a actividade exportadora coloca em 2.º lugar como problemas os transportes e a logística (sendo o 1.º a concorrência nos mercados externos).

O combate de José Manuel Fernandes

O provedor do leitor do Público analisa a cobertura que o jornal deu aos três manifestos dos “economistas”. Apesar dos contorcionismos, vale a pena ler a sua análise para ver o estado a que chegou o blogue em papel de José Manuel Fernandes.

Leituras

• João Rodrigues, A gravidade da globalização:
    “Fatalismo e histeria são manipulados conforme as conveniências. Agora a histeria está mais na moda. Os fluxos económicos globais estão em queda acentuada. E os governos das potências centrais fazem abertamente o que sempre fizeram e o que sempre proibiram aos países menos poderosos: criam, através de apoios públicos e de barreiras mais ou menos assumidas, as condições para que os sectores que consideram estratégicos sobrevivam à crise e para que novas indústrias possam emergir e dominem os mercados. Esta é, segundo o economista Ha-Joon Chang, a história secreta da construção dos capitalismos. Basta lembrar que o argumento da protecção das indústrias emergentes surgiu no final do século 18 nos EUA antes de ser teorizado pelo alemão Friedrich List no século 19 e de ser aplicado, a partir daí, um pouco por todos os processos de desenvolvimento.”

Quando é o Dr. Borges a revelar bom-senso, está tudo dito…

Quando chegarmos ao governo não vamos riscar tudo”.

PS — Pois é, caro Tomás Vasques, nem quero pensar nas razões por que o PSD é contra as obras públicas quando está na oposição e se atira a elas como gato a bofe quando está no Governo.

Como se põe uma mentira a andar

Stephen P. Heyneman veio a Portugal falar sobre educação. E mostraram-lhe o Magalhães. Eis o excerto de uma entrevista que saiu hoje no Público, sob o título: "Começaria por dar computadores aos professores":

    O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman, que falou sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, esta semana. "É um computador colorido. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?", pergunta. "Começaria por dar computadores aos professores para trabalhar. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação", responde. O que viu foi crianças a brincar com o Magalhães, "como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar". "Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação", conclui.
Obviamente, quem lhe mostrou o Magalhães esqueceu-se de lhe dizer que as escolas portuguesas há muito que estão equipadas de computadores. E que os professorees têm acesso ao programa e.escola, com portáteis e banda larga muito mais baratos que nas lojas. Assim, o especialista acabou por fazer coro com os ignorantes locais. E, assim, a mentira vai caminhando...

Importa-se de provar o que diz?

O "rasganço" de JPP - entretanto tornado gratuito - é um autêntico tratado. Especialmente pelo que revela acerca da maneira como a Dra. Manuela se prepara para se apresentar às eleições.
Por exemplo:

    É preciso "rasgar" a tendência mais recente das Novas Oportunidades de "trabalhar para as estatísticas" e reconduzir o programa para um esforço sério de qualificação das pessoas nos diferentes graus de ensino e aprendizagem.

Onde foi JPP buscar a tendência mais recente de trabalhar para as estatísticas? Dito de outra forma, em que estatísticas se baseia JPP para afirmar o que afirma?
É isto uma maneira séria de fazer política?

Manuela, pode votar em mim que é a sigla do PSD que aparece no boletim.


Tolerância e sentido de Estado

Embora a voz esganiçada não ajude muito, Paulo Rangel é um habitual apóstolo da segurança nas suas intervenções na Assembleia da República. Costuma ele dizer que o PS não atribui a devida relevância a esse tema, em que o PSD, certamente aliado do CDS do qual ele próprio provém, dará cartas. Consta até que os criminosos tremem perante a sua volumosa imagem e o ar duro da sua chefe.

Mas ficámos agora a saber que Aguiar Branco, que parece ter sido incumbido de acompanhar os assuntos da Administração Interna, iniciou da melhor forma a sua performance nesta área. Propôs já, veja-se, a extinção de todas as forças de segurança, que seriam fundidas numa única polícia a partir de Setembro.

Sendo a proposta tão séria e grave, Aguiar Branco escolheu o melhor contexto para a apresentar: nada mais, nada menos do que uma reunião com os sindicatos das forças de segurança.

Consta que os seus interlocutores ficaram tão contentes que até lançaram os bonés ao ar no fim da reunião com o vice-presidente do PSD.

Nota — Veja-se também este post.

♪ Nick Cave




(I'll Love You) Till the End of the World

Domingo, Julho 05, 2009

Mentira, ignorância, irresponsabilidade...

O artigo de Pacheco Pereira no Público de sábado (04-07-09) é uma monstruosidade.
Em apenas uma página de jornal, o ideólogo de MFL demonstra a total irresponsabilidade das propostas do PSD - rasgar, rasgar, rasgar... -, baseadas numa ignorância tão ignorante que só pode ser mentira deliberada.
Vejamos um exemplo: o Magalhães. O que propõe JPP?
    É preciso "rasgar" o programa de entrega de computadores "Magalhães". A medida de "um computador por cada criança" é desadequada à idade dos que os recebem, pedagogicamente inútil, mal preparada e com contornos ainda por esclarecer. Para salvar o que ainda pode ser salvo, devia-se favorecer tudo o que seja transformar os "Magalhães" já distribuídos numa consola de jogos, com algum componente pedagógico, que isso sim é adequado à idade, e fazer esforços para um programa "um adolescente - um computador", um objectivo muito mais significativo e mais útil. Não são as crianças que devem ter um computador individual, mas sim os adolescentes e para cima na idade. Para isso é preciso favorecer o acesso à compra de computadores, visto que a "unicidade" do programa "Magalhães" não pode nem deve ser mantida num mercado aberto. Outras medidas que levem ao embaratecimento do acesso à banda larga são muito mais importantes do que o objectivo errado do "Magalhães", próprio de um país do Terceiro Mundo em que as crianças não têm acesso a computadores nem em casa, nem na escola, por regra.

1. JPP quer agora um Magalhães transformado em consola de jogos !!! O mesmo JPP que se indignava porque o Governo andava a distribuir computadores com jogos e acesso à Net pornográfica !!!
Ora JPP sabe - é público e ele é um "grande consumidor" de jornais - que o Magalhães já é uma consola de jogos pedagógicos (tem imensos...), mas é também um instrumento de trabalho (tem ferramentas que o permitem, não limitando o aparelho a uma consola de jogos).

2. JPP quer um programa "um adolescente - um computador".
Ora JPP sabe que esse programa já existe, chama-se e.escola e já entregou cerca de 600 mil computadores, a maioria deles a adolescentes. JPP, como estava mais entretido a dizer mal de Sócrates e dos computadores, não deve ter reparado...

3. JPP quer favorecer o acesso à compra de computadores.
Que outra coisa faz o programa e.escola? JPP tem a noção do efeito de "esmagamento" dos preços dos portáteis que o e.escola favoreceu? Se calhar, nao tem. Talvez não fosse má ideia falar com quem sabe.

4. JPP quer embaretecer o preço do acesso à net de banda larga.
Que outra coisa é o e.escola. JPP não pode ignorar que o acesso à banda larga do programa e.escola é altamente vantajoso face aos programas comerciais. Basta ler as proposta das operadoras de telemóveis que estão no site.

AQUI estão alguns indicadores recentes (todos juntinhos - se JPP quiser, pode pesquisar nos sites da UE e da OCDE).

Se tiver paciência, ainda vou aos outros pontos deste fabuloso (!) artigo de JPP.

"A realidade da própria vida"



O Pacheco "substitui a espuma dos dias pela análise da substância das coisas e a realidade da própria vida. Sem sombra de cedência ao ar do tempo."
A Avillez é "uma Senhora" que usa da "decência" e tem "comportamentos".
Tão contentes que estamos todos nós. Viva o José. Viva a Maria João. Viva a revista Sábado que nos acolhe. E viva a Dra. Manuela mais o Inominável que está no Altar.

Sábado, Julho 04, 2009

O padrão diz-que-disse que começa a impôr-se

1. O Presidente referiu ainda aos jornalistas ter informações de que "sondagens que terão sido feitas manifestam uma preferência por eleições simultâneas", ou seja, na mesma data das eleições autárquicas.

2. «Face às fortes dúvidas que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa é importante que os responsáveis da PT expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI, é uma questão de transparência», acrescentou [Cavaco Silva].

3. «Não tenho informação suficiente para poder comentar, mas tenho uma grande admiração por ela [Maria João Pires], e espero que os problemas possam ser ultrapassados», afirmou, sexta-feira à noite, Cavaco Silva.

♪ Otis Redding (1941-1967)

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Cavaco

Um deputado do PSD insultou outro deputado no plenário da Assembleia da República. Não foi uma coisa que lhe tivesse saído da boca para fora sem pensar, porque repetiu vezes sem conta a expressão “Vai para o caralho”. O mesmo deputado do PSD insultou Sócrates num debate quinzenal. Ambas as situações foram transmitidas pelas televisões.

As cenas indignas na Assembleia Legislativa da Madeira são o pão nosso de cada dia. O próprio Presidente da República foi enxovalhado ao não lhe ter sido permitida a entrada no parlamento regional.

O Presidente da República, que nunca condenou todas estas situações, tem o topete de se pronunciar sobre o caso Pinho. E é tanto mais deslocada a sua declaração quanto Pinho foi imediatamente demitido, não havendo, portanto, mais nada a acrescentar.

Parar é sacrificar o futuro

Um grupo de economistas (designadamente professores catedráticos) e empresários lançou um novo manifesto. Ei-lo:
    Portugal necessita de investimento público estratégico
    Parar é sacrificar o futuro.


    1. Portugal confronta-se com uma dupla crise. Uma, de natureza conjuntural, é a tradução, no plano interno, da crise económica internacional. Outra, de natureza estrutural, é a expressão da incapacidade revelada pela economia portuguesa em se ajustar atempadamente às novas dinâmicas resultantes da globalização económica, em geral, e da sua plena integração na economia europeia, em particular.

    As manifestações da crise económica internacional têm uma tradução evidente na deterioração dos principais indicadores macroeconómicos: contracção do produto, quebra do investimento, aumento do desemprego, aumento do défice e da dívida pública, deterioração das contas externas e consequente disparo da dívida externa. A própria queda da inflação, se bem que podendo ter efeitos atenuadores pela via da manutenção ou mesmo do aumento do poder de compra dos estratos com emprego e rendimento estável, não pode deixar de ser vista como um reflexo da brutal desaceleração da actividade económica e da quebra da procura global.

    As manifestações da crise estrutural, por sua vez, são menos imediatas, na medida em que se estendem por um período mais longo de tempo, que se arrasta há mais de três décadas, praticamente desde que o País se confrontou com a necessidade de fazer face, simultaneamente, ao choque da integração europeia e às pressões da abertura à economia global.

    Com efeito, olhando retrospectivamente a evolução da economia portuguesa no pós 25 de Abril, e depois de um período de crescimento durante a segunda metade dos anos 80 até à crise de 1993, em boa parte induzido pela entrada de fundos comunitários e pela boa conjuntura económica internacional, constata-se uma progressiva perda de dinamismo e de capacidade competitiva, que se transforma em quase estagnação e em divergência com a Europa, a partir da crise de 2003 e até aos nossos dias.

    As causas da crise económica de expressão conjuntural transcendem a economia portuguesa e situam-se no plano mais vasto da economia global. São um resultado da acumulação de disfunções no sistema e de desequilíbrios no funcionamento da economia internacional, estimulados pelas políticas, hoje reconhecidamente irresponsáveis, de desregulação financeira e do laissez-faire das instituições de governança mundial. As causas da crise estrutural são mais específicas e residem nas debilidades endémicas da economia portuguesa.

    Estando interligadas e condicionando-se reciprocamente, ambas as crises não deixam, no entanto, de exigir atenções específicas.

    A resposta à crise conjuntural exige uma coordenação a nível europeu e mundial, bem como uma conjugação de políticas de contenção dos impactos mais negativos no plano económico e social e de ajuda à retoma, as quais não poderão deixar de se repercutir, como está a acontecer, na deterioração do défice interno e externo.

    A crise estrutural, por seu turno, impõe respostas mais profundas e de natureza estratégica, que devem privilegiar a diminuição das vulnerabilidades que têm vindo a ser evidenciadas pela economia portuguesa e pelo seu tecido empresarial: exige o reforço da coerência e da competitividade do seu aparelho produtivo interno e o aumento da sua capacidade de integração com sucesso nas novas dinâmicas da economia europeia e global.


    2. É precisamente neste perspectiva que os projectos estratégicos de obras públicas – o novo aeroporto e as ligações ferroviárias de alta velocidade, bem como a sua articulação com renovadas infra-estruturas marítimo-portuárias – devem ser considerados e avaliados.

    Uma economia como a portuguesa, pequena, aberta e periférica no contexto europeu, é fortemente tributária do investimento público e do papel estratégico do Estado para a criação de um contexto atractivo e das condições favoráveis ao desenvolvimento da iniciativa empresarial interna e externa. Esta, da qual depende em larga medida a produção de bens transaccionáveis, será cada vez mais sensível à qualidade da envolvente económica geral e à fluidez das ligações logísticas entre Portugal e o exterior. Por terra, pelo ar e pelo mar.

    A proposta de suspensão e reavaliação dos investimentos públicos em infra-estruturas viárias e aeroportuárias pode colher uma fácil adesão, na actual conjuntura de crise e de restrições económicas acrescidas. Mas, na realidade, revela uma atitude demissionista e de impotência relativamente ao que pode e deve ser feito no sentido de melhor preparar o País para a recuperação sustentada da economia portuguesa.

    Na prática, parar os grandes projectos depois de anos e anos de estudos, de sucessivas decisões por parte de diferentes governos e dos custos já envolvidos, significa continuar a hipotecar o futuro do País a uma visão conservadora que recupera o essencial do pensamento económico que esteve na base do nosso atraso estrutural. Esta atitude não passa de um sofisma para continuar a pôr em causa todas as decisões que já foram tomadas: na altura própria surge sempre um argumento de oportunidade que faz com que tudo volte ao princípio. Não nos podemos esquecer de como se andou a discutir a construção de Alqueva durante penosos 40 anos!

    Pelo contrário, a aposta num projecto integrado e coerente de modernização e criação de novas infra-estruturas estratégicas – dirigidas aos meios terrestre, aéreo e marítimo - justifica-se, pelo menos, por três ordens de razões.

    Em primeiro lugar, porque irá permitir reforçar e dar maior coerência ao tecido económico e empresarial, superando constrangimentos fundamentais, valorizando as condições de atractividade do investimento externo de qualidade e criando uma efectiva capacidade de absorção e difusão no tecido empresarial dos efeitos directos e indirectos da presença do capital externo e da integração da economia portuguesa na União Europeia.

    Em segundo lugar, porque constituirá uma excelente oportunidade de valorização e integração das novas apostas nos campos tecnológico, energético e ambiental, onde as empresas portuguesas têm vindo a demonstrar um especial dinamismo e uma saudável visão de futuro.

    Em terceiro lugar, porque Portugal não pode alienar ou adiar a sua participação nas redes logísticas internacionais nem malbaratar a qualidade singular de um dos seus maiores recursos - a posição geoestratégica. É fundamental valorizar e potenciar as relações com as Américas, a África e o mundo lusófono, transformando-as num factor de competitividade externa, num ambiente de preocupação acrescida com a segurança de abastecimentos e de diversificação de dependências.

    A aposta num projecto integrado e coerente de infra-estruturas estratégicas justifica-se sobremaneira num contexto de crise económica e de pessimismo generalizado, como é o actual, onde importa injectar confiança nos agentes, fornecendo um quadro claro e de longo prazo para o desenvolvimento da actividade empresarial, geradora de emprego e riqueza.


    3. A saturação do aeroporto da Portela é uma evidência, ainda que momentaneamente mitigada por um decréscimo no tráfego aéreo. A breve trecho, a sua incapacidade de responder às necessidades da procura tornar-se-á flagrante, não se vislumbrando quaisquer hipóteses de expansão ou de combinação virtuosa com uma aerogare de segunda categoria, conhecidas como são as restrições aeronáuticas no espaço aéreo da grande Lisboa e a lógica operacional das companhias de aviação civil.

    A percepção de que a Portela tinha um prazo de validade limitado tem mais de 40 anos. Ainda antes do 25 de Abril, foi identificada a necessidade de construção de um novo aeroporto. As vicissitudes do processo democrático iniciado em 1974 acabariam por protelar o projecto, arrastando-o num carrossel de interesses e desinteresses, estudos e reformulações, a que as frequentes descontinuidades governativas e os objectivos político-partidários de curto prazo não foram alheios.

    O desafio, mais do que incremental, é estratégico. As infra-estruturas aeroportuárias são essenciais, quer para o desenvolvimento turístico quer para o tráfego internacional de mercadorias, e Lisboa possui as condições certas para se transformar num dos principais hubs entre a Europa e o Atlântico Sul. Perderam-se dezenas de anos a discutir localizações e interesses (como se eles não estivessem sempre presentes em qualquer situação, inclusive no status quo!), enquanto os nossos vizinhos espanhóis foram robustecendo a sua rede aeroportuária, atónitos perante a indecisão portuguesa. Esperamos que o novo aeroporto não chegue tarde demais.


    4. No caminho-de-ferro, o panorama é semelhante. Lisboa e Madrid deverão estar ligadas por TGV. Não por imperativo estético, mas pela absoluta necessidade de não ficarmos de fora da rede europeia de alta velocidade, a bem da mobilidade dos cidadãos (a actual ligação demora nove horas!) e da fluidez no transporte de mercadorias. Além do mais, é provável que a procura supere as previsões correntes. O TGV é hoje um caso de sucesso em toda a Europa, designadamente em Espanha, onde se verificaram surpreendentes externalidades positivas ao nível do desenvolvimento regional e do descongestionamento das grandes urbes.

    O Norte de Portugal, onde se concentra grande parte da actividade empresarial do País, não pode deixar de beneficiar desse potencial de desenvolvimento. O trajecto ferroviário Lisboa-Porto, com as suas inadmissíveis 2.45 horas de duração, é um constrangimento de peso. Não existe nenhum outro caso na Europa ocidental onde as duas principais cidades estejam ferroviariamente tão afastadas no binómio tempo-distância. Sendo certo que as questões fulcrais e visivelmente irresolúveis residem no actual traçado e no transporte de mercadorias, as quais afectam negativamente aquele binómio, a maior ou menor potência das locomotivas é um problema secundário. Do que não duvidamos é que urge aproximar Lisboa do Porto e o País, como um todo, da Europa.


    5. É certo que as apostas estratégicas devem ser reflectidas em todas as suas vertentes e tendo em conta todas as suas implicações, entre as quais a componente do financiamento e da sustentabilidade financeira a longo prazo. Sem dúvida que os montantes envolvidos implicam encargos avultados ao longo de muitos anos. Mas não é menos verdade que os mesmos têm como contrapartida activos de importância capital que serão deixados às futuras gerações, tornando Portugal melhor e mais competitivo.

    Como todas as apostas estratégicas, também estas devem ser sujeitas, no seu desenvolvimento e execução, a um rigoroso escrutínio, não só de carácter técnico e económico, mas também político, através da Assembleia da República e demais órgãos competentes. Admitimos, inclusive, que o seu desenvolvimento integrado, suportado por um sistema de coordenação eficaz, possa ser objecto de reajustamentos técnicos e de um faseamento ordenado, face às disponibilidades orçamentais e à evolução da situação financeira do País. Mas não aceitamos a discussão permanente e a indecisão.

    Por tudo isto, sentimos o dever de dizer presente neste debate tão essencial para a construção do futuro de Portugal. Porque pensamos que o progresso não se consegue apenas com apelos à prudência e à parcimónia. Porque pensamos que é necessário ter a coragem e o arrojo de ir mais além na criação de oportunidades de desenvolvimento do País.

    Parar é sacrificar o futuro."

♪ Bobby Darin (1936-1973)

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Não há como morrer para ser reconhecido

Pinho merecia chegar ao final do mandato, defende Catroga.

A diferença

Um deputado do PSD insultou um deputado do PS no Parlamento. O PSD não condenou esse acto inadmissível e procurou justificar a atitude do seu deputado.

O acto inadmissível de Manuel Pinho teve consequências: foi demitido.

Da série “Sei o que fizeste nos Governos passados”

A verdade a que temos direito




Dr.ª Manuela: “se lá estivesse o nome de Santana Lopes não votava



Santana quer novo túnel em Lisboa e pede “ajuda” a Deus para a vitória:
    “Entre as centenas de pessoas que compareceram à apresentação das linhas gerais da candidatura às autárquicas destacavam-se, na primeira fila de lugares sentados, os líderes dos partidos que configuram a coligação: Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, Pedro Quartin Graça e Nuno da Câmara Pereira.”
Leitura sugerida: Carlos Santos, Pedro Miguel de Santana Lopes, o homem que sabemos quem é!

♪ Eddie Cochran (1938-1960)

Da série “A Verdadinha” (novo episódio)

Da série "Frases que impõem respeito" [335]

    Se for a julgamento, pode chamar a testemunha abonatória do costume.

Viagens na Minha Terra